
Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados.
De tanto ler e ouvir essa frase, acabei criando antipatia por ela. É de se imaginar que a idéia original devia ser de tratar com bom humor um dos princípios do jornalismo: fiscalização diuturna do poder onde quer que se manifeste. No entanto, como estamos vivendo uma crise de interpretação de texto (vide episódios
Ferréz e
Juca Kfouri), a frase vem sendo usada como salvaguarda para justificar atitudes injustificáveis.
A oposição pode fazer denúncia seletiva, pode ressaltar as suas qualidades e exacerbar os defeitos da situação, pode escolher as estatísticas que lhe são favoráveis e as que são desfavoráveis ao adversário. Tudo isso é parte do jogo democrático.
A imprensa pode tudo isso ? Até pode, pois tem liberdade para tal, mas não devia. Não devia, principalmente na televisão, pois o espectador fica com aquela impressão que está vendo o horário eleitoral gratuito. Convenhamos, horário eleitoral é muito chato.
A oposição pode cercear as idéias contrárias às suas, pode esquivar-se de debates. A imprensa devia abrir espaço para o contraditório e para o debate.
Sem contar que a prática poderia criar situações, no mínimo, curiosas. Suponhamos que tivéssemos um governo de esquerda. Suponhamos que tivéssemos uma oposição de direita. Por exemplo, na questão ambiental, a oposição diria que aquecimento global é uma falácia. A imprensa abraçaria a idéia. Quando o cenário inverter e a oposição subir ao poder, a imprensa faz o quê ? Parceria com o GreenPeace ?