
A paixão de Gilmar Mendes pela Polícia Federal é coisa antiga. Pelo Ministério Público também. Para quem não lembra do seu currículo, ele era advogado-geral da União quando estourou o escândalo dos
precatórios do DNER, em 2000. Como era praxe na época, ele engavetou o relatório da Corregedoria que demonstrava que os cofres públicos haviam sido lesados. O comportamento lhe rendeu uma ação por improbidade administrativa movida pelo Ministério Público contra ele e o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha. Rendeu também a sua indicação para o STF, feita por FHC em 2002. A indicação foi alvo de
protesto.
Ele e Eliseu Padilha eram tão próximos que até foram a Diamantino (MT), sua cidade natal, para uma
solenidade de início de obras. Naquela época, ninguém questionava o que o advogado-geral da União fazia num evento desses. O fato do irmão de Gilmar Mendes, Francisco Ferreira Mendes Júnior, ser prefeito da cidade, era mera coincidência. Posteriormente, a obra também andou tendo problemas com o
TCU.
Francisco Ferreira Mendes Júnior também responde a ações por improbidade administrativa e presenteou o irmão batizando a
avenida do aeroporto da cidade de “Ministro Gilmar Ferreira Mendes”.
Por essas e outras, Gilmar Mendes se tornou inimigo número um da Lei de Improbidade Administrativa e defensor da antiga Medida Provisória 2088, que restringia a atuação dos membros do Ministério Público. A MP ficou conhecida como “Lei das Algemas”.
Nesses tempos de navalhas, os velhos amantes voltaram a trocar carícias. O ministro concedeu
habeas corpus a
vários presos pela PF, que andou
estranhando uma de suas decisões. Foi divulgado para a imprensa que um tal Gilmar Mendes era beneficiado no esquema. Tratava-se, porém, de um
homônimo. O ministro apareceu soltando fogo pela ventas no JN.
O delegado Getúlio Bezerra, diretor de Combate ao Crime Organizado da PF, tem uma receita para os ânimos esquentados com as operações da PF: “chá de cidreira, água benta, mãos limpas e não roubar dinheiro público”.