domingo, 30 de março de 2008

Minority Report


Pelo jeito não durou muito a história do suposto dossiê. É curioso como se constroem grandes castelos de cartas em cima de fumaça. Também é digno de nota o fato da manada seguir tirando conclusões e entrevistando celebridades ao invés de tentar apurar o que realmente aconteceu. Tudo afirmado e perguntado usando o “se” e o “suposto”. Vivemos uma semana toda baseada naquilo que os americanos chamam de “wishful thinking”.

O intuito inicial era, no melhor estilo precogs, a previsão do crime de chantagem. A diferença é que ninguém viu nem o chantageador e nem o chantageado. Depois os holofotes voltaram-se para o crime real, a divulgação de dados sigilosos. Primeiro era a mando da Ministra da Casa Civil, depois de sua secretária, agora já são três fontes. Como dizem, muito calor e pouca luz.

Essa foi a primeira descarga do desfribilador para tentar dar ânimo para a CPI da tapioca. Lá se foi mais uma semana no Congresso. Falando nele e naquele assunto das MPs, que também durou pouco, convém fazer a pergunta Tostines:
O Congresso não legisla por causa das MPs ou as MPs existem porque o Congresso não legisla ?

sexta-feira, 21 de março de 2008

Furacão

Apenas alguns dias desconectado para me dedicar aos estudos e, ao voltar, noto que um furacão passou pela internet. PHA foi tirado do ar pelo IG. Mino Carta, em solidariedade, anunciou seu último post no portal. O Azenha desceu o sarrafo sobre a forma como se deu o episódio e ainda se retirou do concurso do Ibest. A Cora Rónai contou uma história grave de quando o PHA foi seu chefe no JB.

Estou ainda tentando entender as partes. Para o IG, nota zero pela falta de respeito com o profissional e com os internautas. O PHA vai conseguir se virar, pois não é novato e nem ingênuo. Ele não é exatamente um pilar de jornalismo independente. Eu não lembro dele falar um “a” sobre o caso dos processos da IURD contra a Folha. Independente é quem não tem patrão.

O Mino Carta, convenhamos, aproveitou a deixa. Ele nitidamente não curtia muito a idéia de ter um blog. Deve estar aliviado até. Sinceramente, não sei se criará um novo em outro lugar. O Azenha faz a melhor cobertura. Faz entrevistas, vai atrás dos números e dos fatos. Quanto à Cora, ela exerceu o direito inalienável, que todo cidadão tem, de meter o pau no chefe. Vou aguardar o PHA se pronunciar sobre o assunto, se é que vai, para saber se ele confirma, nega, explica ou entra com um processo.

Por enquanto, vou atualizar o endereço do Conversa Afiada no quadro ao lado. Vou continuar acompanhando o que ele publica e torcendo para que as divertidas enquetes continuem. Vou manter também o meu pé atrás, porque é assim que me mantenho pensante.

sábado, 15 de março de 2008

Retrospectiva de Projeções do PIB 2007


Somos bombardeados com projeções de todo tipo e a toda hora. Especialistas têm palpites sobre os diversos números da economia, tais como a inflação, o crescimento e a geração de empregos. Para demonstrar o rigor matemático, algumas projeções chegam às casas decimais. Agora que já conhecemos o resultado do PIB de 2007, convém dar uma revisada nas projeções dos especialistas. As fontes são variadas para não privilegiar ninguém.

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segunda-feira, 10 de março de 2008

Pecados Capitais 2.0


A distância entre as idéias da igreja e dos fiéis é cada vez maior. Com suas posições sobre homossexualismo, métodos anticoncepcionais e até sobre missas serem rezadas em latim, a igreja parece caminhar a passos largos em direção à Idade Média.

Mas, quem disse que a igreja não se atualiza ? Ao ouvir o clamor por mais flexibilidade e mais solidariedade para com os anseios dos fiéis, qual foi a grande mudança promovida ? Ampliação da lista de pecados.

Ontem saiu uma atualização da lista de pecados capitais. Agora, fazer modificação genética, poluir o meio ambiente, causar injustiça social, causar pobreza, tornar-se extremamente rico e usar drogas também integram a lista.

O novo rol suscita algumas dúvidas. "Fazer modificação genética" refere-se somente aos seres humanos ou produtos transgênicos também contam ? O Vaticano e seus dissidentes podem ser enquadrados nos novos pecados "causar pobreza e tornar-se extremamente rico" ? A lista é retroativa ? Novas versões podem surgir para esclarecê-las.

Nessas horas é fácil imaginar, em algum lugar, um homem a suplicar: "Pai, perdoe-os, pois eles não sabem o que fazem".

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Campanhas


Lembro de ter comentado sobre a descoberta do capitalismo. Sem grandes pretensões, mas foi antes da entrevista do Armínio Fraga para a Sujíssima.

Parece que os marqueteiros estão começando a pegar o espírito da coisa. Nem todos, pois alguns patrocinam o Cansei e fazem campanha para os belgas com um tema de forte apelo nacionalista como Sense and Simplicity. Ironia pura, quem colocou nova campanha no ar, com um tema mais próximo da realidade, foi justamente uma empresa belga. A nova campanha da cervejaria fala do batalhador, guerreiro, que tem fé na vida e não desiste nunca. Eu acho que já ouvi isso em algum lugar.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

A pior frase do Millôr



Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados.


De tanto ler e ouvir essa frase, acabei criando antipatia por ela. É de se imaginar que a idéia original devia ser de tratar com bom humor um dos princípios do jornalismo: fiscalização diuturna do poder onde quer que se manifeste. No entanto, como estamos vivendo uma crise de interpretação de texto (vide episódios Ferréz e Juca Kfouri), a frase vem sendo usada como salvaguarda para justificar atitudes injustificáveis.
A oposição pode fazer denúncia seletiva, pode ressaltar as suas qualidades e exacerbar os defeitos da situação, pode escolher as estatísticas que lhe são favoráveis e as que são desfavoráveis ao adversário. Tudo isso é parte do jogo democrático.
A imprensa pode tudo isso ? Até pode, pois tem liberdade para tal, mas não devia. Não devia, principalmente na televisão, pois o espectador fica com aquela impressão que está vendo o horário eleitoral gratuito. Convenhamos, horário eleitoral é muito chato.
A oposição pode cercear as idéias contrárias às suas, pode esquivar-se de debates. A imprensa devia abrir espaço para o contraditório e para o debate.
Sem contar que a prática poderia criar situações, no mínimo, curiosas. Suponhamos que tivéssemos um governo de esquerda. Suponhamos que tivéssemos uma oposição de direita. Por exemplo, na questão ambiental, a oposição diria que aquecimento global é uma falácia. A imprensa abraçaria a idéia. Quando o cenário inverter e a oposição subir ao poder, a imprensa faz o quê ? Parceria com o GreenPeace ?